Amostra grátis de folk lésbico

maio 4, 2010
Depois de um passeio no hospital mais demorado que o planejado, estou de volta! Viva a minha casinha e minha linda conexão à internet!
E para relaxar após essas semanas que fiquei de acompanhante num lugar sem graça e com pouquíssimos canais de TV a cabo, nada mais justo do que um banho com todos os creminhos que estavam no banheiro, aquela arrumada no guarda-roupa, um gato ronronando no colo e uma boa cantora de folk falando baixinho sobre o amor e a vida.
Foi assim que parei pra pensar: será que, entre as cantoras de folk, há muitas lésbicas assumidas? Afinal, por algum mistério do universo, voz-e-violão é uma combinação dyke por excelência. Numa pesquisa rápida encontrei umas velhas conhecidas e umas surpresas agradáveis, todas out and proud. Tá aí uma seleção de vídeos do amigo YouTube. Divirtam-se!

Blair Hansen, ganhadora do Out Music Awards 2009 na categoria folk:

Doria Roberts, Perfect:
Catie Curtis, Happy:
Ani DiFranco, You Had Time, montagem com cenas do controverso filme Assunto de Meninas (por que controverso? Só porque eu saí da adoração para a repulsa completa a esse filme):
Bitch, Two Girls Strong (ela aparece no filme Shortbus e, melhor ainda, é namorada da Daniela Sea!):
E as veteranas Indigo Girls, I Believe in Love:
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Brittany e Santana se beijam em Glee

março 18, 2010
Meninas, olha que notícia boa: Ryan Murphy, produtor de Glee, afirmou que vai rolar um beijo entre as cheerleaders Brittany e Santana quando a série voltar em abril.
Uhuuuuu!! Finalmente! Não seria uma enorme surpresa, afinal, Brittany já deixou escapar que elas têm/tiveram relações sexuais. Mas vai ser incrível ver as duas juntas!
Pelo menos era o que eu achava… até saber disso:
Aparentemente, o beijo fará parte de uma estratégia para separar Finn e Rachel. Santana tomará a iniciativa e dirá a Finn: “Você nos paga o jantar, nós nos beijamos na sua frente”.
Tem tanta coisa pra falar que nem dá vontade. Frustração.

Programa de Direitos Humanos ignora Aborto

março 17, 2010

Saiu na GloboNews ontem:

“O governo vai fazer mudanças em 4 pontos do Programa Nacional de Direitos Humanos que provocaram polêmica com setores da sociedade. (…) O Plano não vai mais tratar da descriminalização do aborto nem da proibição de símbolos religiosos em prédios públicos.”

Parece que os Direitos Humanos não se estendem às mulheres. Quer dizer que é só provocar polêmica que o governo desiste de tratar do assunto? Vamos aos dados:

Um estudo mostra que pelo menos 1 milhão de abortos foram realizados no Brasil em 2005 e, ao contrário do que se imagina, aproximadamente 70% foram feitos por mulheres casadas ou em relação estável. Segundo o Ministério da Saúde, mais de 600 mulheres são internadas diariamente no SUS por complicações decorrentes de abortos inseguros. E, apesar da garantia de sigilo médico, muitas mulheres são denunciadas à polícia após atendimento nos hospitais.
Apesar disso tudo, ainda ignoramos que o aborto é uma questão de saúde pública e que, como já disse uma campanha, o direito ao aborto seguro é um direito humano. Até quando vamos fechar os olhos para a realidade das mulheres?
(Sobre a última parte da notícia, já desisti de acreditar que o Estado é laico. Não dá pra esperar muita coisa de um país “laico” que imprime Deus seja louvado em suas cédulas. Já aviso que não sou contra religiões, mas cada coisa deve ter seu espaço. É só olhar pro Oriente Médio que nós tanto condenamos para ver o que acontece quando Estado e Religião se misturam.)
Créditos da imagem: Gintautas Sadauskas

Sai novo clipe de Lady Gaga e Beyoncé

março 15, 2010

Saiu o tão aguardado videoclipe de Telephone, nova música de Lady Gaga e Beyoncé. O clipe é dirigido por Jonas Akerlund, o mesmo que fez Paparazzi, e é tão Tarantinesco que tem até a Pussy Wagon, a caminhonete do filme Kill Bill. O que importa pra gente, no entanto, é a quantidade de referências lésbicas – eu super quero ir pra essa prisão! Divirtam-se abaixo:

Nem preciso dizer que adoro a Lady Gaga, né? Ela faz um sucesso estrondoso sendo uma nariguda reta-sem-peito-nem-bunda. Ela me faz acreditar que talento ganha de estereótipos e que dá pra ser incrível estando fora do padrão.

Passei quase 1 ano sem blogar porque, nas reviravoltas da minha vida, achei que não poderia mais falar sobre lésbicas sendo que não me considerava uma. Demorei a entender que caía em outro preconceito: achar que bissexuais não poderiam participar ativamente do mundo lésbico, ou pertencer a ele. Agradeço à Bianca e à Larissa que, sem saber, me motivaram a voltar a escrever.

Adeus, Heterolândia!

agosto 4, 2009

Olá, meninas!

Depois de longos 4 meses, a filha pródiga retorna à casa! E nesse tempo, tudo aconteceu: saí muito, ganhei vários garçons amigos, fiz amizades dançando em baladas gays, terminei namoro (ou o namoro terminou comigo?), o cabelo ficou roxo, depois rosa, dei em cima da dona de um café, cheguei no nível expert do Rock Band, passeei pela Heterolândia, quase virei madrasta, mudei de casa, levei os gatos, pintei apartamento com o novo amor da vida, o cabelo ficou ruivo, briguei e me frustrei com a criatura com quem eu estava dividindo a casa, voltei para meu apartamento antigo, o cabelo pede para ser raspado…

Enfim! Muitas emoções, muita vida real, tudo aquilo que eu estava reclamando no post mimimi aí debaixo. Hora de voltar!
E, claro, a parte piegas que eu não deixaria faltar: muito obrigada a todas que passaram por aqui e deixaram algum comentário. Babies, é por todas nós que escrevo: útil ou não, blogo para que possamos nos encontrar mesmo que fortuitamente no nosso cantinho virtual. Para sentir que nós existimos, centenas (milhares!) de meninas sapateando por suas vidas – e para ter a certeza de que não estamos sozinhas. Que eu não estou sozinha. E que tudo o que vivemos vale a pena.
Até a próxima!

Chegadas e Partidas – eu e a Lesbosfera

março 20, 2009

– Estou gostando de uma garota. E agora?

Eu tinha 18 anos quando me perguntei isso. Eu conhecia vários gays, mas nenhuma lésbica. Como elas se comportam? Como reconhecer outras sapatilhas? Que roupas eu deveria usar?

Para minha sorte, já existia o Google. Para meu azar, nada de vida lésbica na rede. A Lesbosfera era tímida, acuada, escondida. Nós não passávamos de um link mixuruca nos menus de portais gays.

E foi assim que eu comecei a blogar.

Na época, era um blog anônimo. Fiz várias amizades, conheci muita gente virtualmente e até pessoalmente. Tive meu próprio grupo de amigas lés e nos reconhecíamos em todos os episódios de The L Word. Tudo era lindo e o mundo era gay.

E então eu descobri que a gente cresce e os blogs mudam. A Antena surgiu da minha ânsia por locais virtuais de cultura e entretenimento lésbico e na mesma época foi criado o portal Parada Lésbica com o seu (nosso) Leskut. Pipocaram sites de sapatilhas, incluindo o The Salto Alto e outra rede de relacionamentos, o Lez Love. Isso sem falar nos blogs de imenso sucesso que já exisitiam e no Dykerama.

A Lesbosfera tornou-se um mar navegável, com atrações para todos os gostos. Porém, e fora da internet? O que havia?

Para mim, resultado não era tão positivo. Apesar de conhecer no mundo virtual várias sapatilhas todas as semanas, a quantidade de lésbicas que eu encontrava fisicamente pelo mundo só diminuía.

E então entendi que, apesar de tudo, continuamos escondidas. Há uma necessidade claustrofóbica de ser feminina e parecer hétero, de se comportar “discretamente”. Permanecemos tão invisíveis que mantemos relacionamentos falidos por medo de nunca mais encontrar outra garota interessante. Aprendemos a achar o Gaydar o instinto mais fantástico do universo, sem perceber que ele é uma ferramenta da nossa própria opressão. Ainda procuramos a princesa encantada que nos fará feliz para sempre em Leskuts e MSNs, e frequentemente nos apaixonamos por garotas a quilômetros de distância. Nos afundamos no drama lésbico e, tão apegadas que somos a ele, acreditamos que o drama é inerente a nossa existência.

Cansei disso tudo. Esse tempo todo que a Antena Paralésbica ficou parada foi por um desânimo extremo meu. Adianta estarmos tão livres na internet quando usamos todas as nossas possibilidades para nos aprisionar ainda mais? Não quero viver unicamente online, nem quero cair nas minhas próprias armadilhas.

Quando eu encontrar algum sentido nisso tudo, voltarei a postar. Até lá, muito obrigada a todas que passam por aqui. A gente se vê em pouco tempo.

Dispenso essa rosa

março 8, 2009

Todos os anos, no dia 8 de março nos oferecem rosas em homenagem ao “Dia Internacional da mulher”.

Dizem que a rosa simboliza a “feminilidade”, a delicadeza. É a mesma metáfora que usam para coibir nossa sexualidade — da supervalorização da virgindade é que saiu o verbo “deflorar”.

A delicadeza da flor também é sua fraqueza. Qualquer movimento brusco lhe arranca as pétalas. Por sermos o “sexo frágil” devemos ser protegidas. A julgar pelo número de estupros, precisamos de proteção contra os homens. Ah, mas os que estupram são psicopatas, dizem. Não é com estes que nós namoramos e casamos, não é a eles que confiamos nossa proteção. Mas, segundo pesquisa Ibope/Instituto Patricia Galvão, 51% dos brasileiros conhecem alguma mulher que é agredida por seu parceiro. Em 40 a 70 por cento dos assassinatos de mulheres, o autor é o marido ou companheiro. Este tipo de crime aparece na mídia como “passional” — Tratam os criminosos como “românticos” exagerados.

A rosa também tem espinhos, o que a torna ainda mais simbólica dos mitos que o patriarcado atribuiu às mulheres. Somos ardilosas, traiçoeiras, manipuladoras. Nós é que fomos nos meter com a serpente e tiramos Adão do paraíso. Várias culturas têm a lenda da vagina dentata. Em Hollywood, as mulheres usam a “sedução” para prejudicar os homens e conseguir o que querem. Nos intervalos do canal Sony, os machos são de “respeito” e as mulheres têm “mentes perigosas”. Por isso, a sociedade prendeu as mulheres dentro de casa e ainda limitou seus movimentos com espartilhos, sapatos minúsculos (na China), etc. Impediram-na que estudasse, que trabalhasse, que tivesse vida própria. Ela era propriedade do pai, depois do marido. Tinha sempre de estar sob a tutela de alguém, senão sua “mente perigosa” causaria coisas terríveis.

Mas dizem que a rosa serve para mostrar que, hoje, nos valorizam. As mulheres votam e trabalham! Não há mais nada para conquistar! Será mesmo?

Nos últimos anos, as diferenças salariais entre homens e mulheres (que seguem as mesmas profissões) têm crescido no Brasil, em vez de diminuir.

Dizem que a rosa é um sinal de reconhecimento das nossas capacidades. Mas, no ranking de igualdade política do Fórum Econômico Mundial de 2008, o Brasil está em 100º lugar entre 130 países. As mulheres têm 11% dos cargos ministeriais e 9% dos assentos no Congresso — onde, das 513 cadeiras, apenas 46 são ocupadas por elas. Do total de prefeitos eleitos no ano passado, apenas 9,08% são mulheres. E nós somos 52% da população.

A rosa também simboliza beleza. Mas é só passar em frente a uma banca de revistas para descobrir que é o contrário. Você nunca está bonita o suficiente. Não pode ser feliz enquanto não emagrecer. Não pode envelhecer nem ter celulite, nem espinhas nem estrias nem olheiras nem cicatrizes nem hematomas. Deve ser igual à modelo da capa (que usa photoshop).

No dia 8 de março, nos dão uma rosa como sinal de respeito. No entanto, a misoginia está em toda parte. Os anúncios e ensaios de moda glamourizam a violência contra a mulher. Nas propagandas de cerveja e programas humorísticos, as mulheres são meros objetos sexuais. A multibilionária indústria da pornografia mostra cada vez mais cenas de violência contra a mulher. Nos videogames, ganha pontos quem atropelar prostitutas ou estuprar uma mãe e suas filhas.

Todo dia 8 de março, vejo mulheres com rosas vermelhas na mão, no metrô. É um sinal de cavalheirismo, dizem. Mas, no mesmo metrô, muitas mulheres são encoxadas todos os dias. Tanto que o Rio criou um vagão exclusivo para as mulheres. Eles não punem os responsáveis. Preferem isolar as vítimas.

Enquanto não combatermos a idéia de que as mulheres que andam sozinhas por aí são propriedade pública, isso nunca vai deixar de existir. Enquanto acharem que cantar uma mulher na rua é elogio, idem.

Não quero rosas. Eu quero igualdade de salários, mais representação política, mais respeito, menos violência e amarras. Eu quero, de fato, ser igual na sociedade. Eu quero, de fato, caminhar em direção a um mundo em que o feminismo não seja mais necessário.

Texto de Marjorie Rodrigues, adaptação Bia A – http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=59614990

Warren Beatty quer Lindsay Lohan… como filha

março 2, 2009

Warren Beatty, o Clyde de Bonnie & Clyde, está interessado em voltar às telonas e declarou que quer Lindsay Lohan no papel de sua filha. O lendário ator de 72 anos fez essa proposta com uma condição: ela deve morar com ele, ou em uma de suas casas de hóspedes, até o fim das filmagens.

Tá que o cara é muito bem casado com a Annette Bening, mas só eu que acho esse “convite” nojento?

Lésbicas na TV – o que você faria diferente?

fevereiro 26, 2009

Olá meninas! Quanto tempo, não? Como foi o Carnaval de vocês? O meu, aqui nessa loucura que é o Carnaval de Brasília, foi uma folia na casa de amigos com muito videogame. E, de vez em quando, para relaxar um pouco, a gente via TV. E foi vendo TV que percebi uma coisa…

Estamos no meio de um bombardeio de personagens gays e lés. Na segunda-feira minha programação incluiu:

Eu os declaro marido e… Larry, filme de comédia sobre dois héteros que fingem ser um casal gay para ter direitos de previdência;
– o episódio do Grey’s Anatomy com as duas lésbicas começando a sair juntas;
– Sean Penn agradecendo o Oscar por Milk e detonando quem votou a favor da proposition 8;
– o episódio de Friends em que uma garota sugere ao Chandler e ao Joey que gostaria de ficar com os dois ao mesmo tempo;
House, com a belíssima Thirteen;
No fim da noite, eu já estava cansada de pensar como as outras pessoas recebem essas informações. Se antes éramos invisíveis, hoje estamos em todos os programas, cumprindo nosso papel de aumentar a audiência. Continuamos sendo, na maioria das vezes, elemento de comédia – mas agora a comédia é politicamente correta.

Reclamamos quando nos retratam como bichinhas ou sapatões caminhoneiras; reclamamos quando só aparecemos na TV como lésbicas lindas femininas e gays másculos bem-sucedidos. Queremos personagens que nos mostrem como somos, mas só se for uma imagem positiva – quando a Thirteen usa drogas nós ficamos incomodadas porque ela vai reforçar a imagem da bissexual problemática. Afinal, o que queremos?

É óbvio que aguardamos o dia em que o “personagem gay” será apenas mais um personagem. Porém, como chegamos lá? Por que caminho?
Estamos no olho do furacão. Você já parou para pensar nos gays e lésbicas que vê na televisão? O que você acha deles? Você se sente representada pelas lésbicas que vê? Ou você acha que essa função não diz respeito aos programas televisivos?
E como atirar pedras é fácil, proponho um exercício de criatividade: se você tivesse um programa de TV, quem/como seriam seus personagens gays e lésbicas?

Lesbicas na TV – o que voce faria diferente?

fevereiro 26, 2009

Olá meninas! Quanto tempo, não? Como foi o Carnaval de vocês? O meu, aqui nessa loucura que é o Carnaval de Brasília, foi uma folia na casa de amigos com muito videogame. E, de vez em quando, para relaxar um pouco, a gente via TV. E foi vendo TV que percebi uma coisa…

Estamos no meio de um bombardeio de personagens gays e lés. Na segunda-feira minha programação incluiu:

Eu os declaro marido e… Larry, filme de comédia sobre dois héteros que fingem ser um casal gay para ter direitos de previdência;
– o episódio do Grey’s Anatomy com as duas lésbicas começando a sair juntas;
– Sean Penn agradecendo o Oscar por Milk e detonando quem votou a favor da proposition 8;
– o episódio de Friends em que uma garota sugere ao Chandler e ao Joey que gostaria de ficar com os dois ao mesmo tempo;
House, com a belíssima Thirteen;
No fim da noite, eu já estava cansada de pensar como as outras pessoas recebem essas informações. Se antes éramos invisíveis, hoje estamos em todos os programas, cumprindo nosso papel de aumentar a audiência. Continuamos sendo, na maioria das vezes, elemento de comédia – mas agora a comédia é politicamente correta.
Reclamamos quando nos retratam como bichinhas ou sapatões caminhoneiras; reclamamos quando só aparecemos na TV como lésbicas lindas femininas e gays másculos bem-sucedidos. Queremos personagens que nos mostrem como somos, mas só se for uma imagem positiva – quando a Thirteen usa drogas nós ficamos incomodadas porque ela vai reforçar a imagem da bissexual problemática. Afinal, o que queremos?

É óbvio que aguardamos o dia em que o “personagem gay” será apenas mais um personagem. Porém, como chegamos lá? Por que caminho?
Estamos no olho do furacão. Você já parou para pensar nos gays e lésbicas que vê na televisão? O que você acha deles? Você se sente representada pelas lésbicas que vê? Ou você acha que essa função não diz respeito aos programas televisivos?
E como atirar pedras é fácil, proponho um exercício de criatividade: se você tivesse um programa de TV, quem/como seriam seus personagens gays e lésbicas?