Arquivo da categoria ‘7 mitos sobre lésbicas’

Mito 7 – Nós ainda não achamos o homem certo

dezembro 26, 2008

Esse é o jeito gentil de dizer que sapatão é mulher mal comida. Até da minha mãe já ouvi isso – do jeito disfarçado, obviamente. Será que se a gente achasse o cara ideal a gente viraria hétero?

Nem preciso dizer que a “falta de pinto” não é motivo para nossa lesbianidade, ou preciso? Reverter essa afirmação mostra o tanto que ela é absurda. Ninguém diz que o gay ainda não achou a mulher certa, muito menos que a mulher hétero é a que não transou com uma boa sapata (imagina que paraíso seria se falassem isso!) 

Mas essa tese não vem só de fora. Tem muita gente do meio que pensa assim, alegando que “somos todos bissexuais por natureza. Eu, que sou fã da Escala Kinsey, acredito sim que a maioria de nós é bissexual. E não falo só das sapatilhas, falo aqui de

todo esse mundão hétero a nossa volta. Porém, da mesma forma que uma escala de tons cinzas começa com o branco e termina com o preto, acredito que existe a lésbica 100% e a hétero 100%. 
Eu também acredito em outras possibilidades. Na minha cabeça, esse negócio de sexo é simples: apertando os botões certos, qualquer pessoa pode ter prazer, seja com um homem ou com uma mulher. O difícil mesmo é se apaixonar. E é aí surgem os bissexuais e bi-afetivos, bissexuais e homoafetivos, homossexuais e homoafetivos… uma infinidade de nomes para uma infinidade de gostos.
Claro que essas nomenclaturas servem apenas para facilitar a compreensão de que a afetividade e a sexualidade humana são muito maiores do que sonham nossa vã filosofia. Não dá para pensar o mundo como um grande questionário; não temos como desenhar um grande X na “orientação sexual: homossexual”. Se eu encontrar um homem incrível, me apaixonarei por ele? Não dá para dizer. Só dá para falar que, para cada lésbica que passa a se relacionar com um homem (por livre e espontânea vontade), há uma hétero beijando outra menina pela primeira vez.
Como disse Shane, sexualidade flui! Onde você se encontra nesse momento?
Crédito da imagem: LexnGer.

(Obrigada pelo carinho nos comentários e desculpem pela demora na atualização! A gente ainda se encontra mais vezes antes do fim do ano pelos blogs, prometo!)
Leia também:

Mito 1. Por que toda lésbica é masculina?
Mito 2. Toda lésbica gosta de Ana Carolina
Mito 3. As lésbicas querem ser homens
Mito 4. Toda lésbica nasce com o manual de habilidades masculinas
Mito 5. Nós damos em cima de nossas amigas héteros
Mito 6. Lésbicas não são machistas

Mito 7 – Nós ainda não achamos o homem certo

dezembro 26, 2008

Esse é o jeito gentil de dizer que sapatão é mulher mal comida. Até da minha mãe já ouvi isso – do jeito disfarçado, obviamente. Será que se a gente achasse o cara ideal a gente viraria hétero?

Nem preciso dizer que a “falta de pinto” não é motivo para nossa lesbianidade, ou preciso? Reverter essa afirmação mostra o tanto que ela é absurda. Ninguém diz que o gay ainda não achou a mulher certa, muito menos que a mulher hétero é a que não transou com uma boa sapata (imagina que paraíso seria se falassem isso!) 

Mas essa tese não vem só de fora. Tem muita gente do meio que pensa assim, alegando que “somos todos bissexuais por natureza. Eu, que sou fã da Escala Kinsey, acredito sim que a maioria de nós é bissexual. E não falo só das sapatilhas, falo aqui de

todo esse mundão hétero a nossa volta. Porém, da mesma forma que uma escala de tons cinzas começa com o branco e termina com o preto, acredito que existe a lésbica 100% e a hétero 100%. 
Eu também acredito em outras possibilidades. Na minha cabeça, esse negócio de sexo é simples: apertando os botões certos, qualquer pessoa pode ter prazer, seja com um homem ou com uma mulher. O difícil mesmo é se apaixonar. E é aí surgem os bissexuais e bi-afetivos, bissexuais e homoafetivos, homossexuais e homoafetivos… uma infinidade de nomes para uma infinidade de gostos.
Claro que essas nomenclaturas servem apenas para facilitar a compreensão de que a afetividade e a sexualidade humana são muito maiores do que sonham nossa vã filosofia. Não dá para pensar o mundo como um grande questionário; não temos como desenhar um grande X na “orientação sexual: homossexual”. Se eu encontrar um homem incrível, me apaixonarei por ele? Não dá para dizer. Só dá para falar que, para cada lésbica que passa a se relacionar com um homem (por livre e espontânea vontade), há uma hétero beijando outra menina pela primeira vez.
Como disse Shane, sexualidade flui! Onde você se encontra nesse momento?
Crédito da imagem: LexnGer.

(Obrigada pelo carinho nos comentários e desculpem pela demora na atualização! A gente ainda se encontra mais vezes antes do fim do ano pelos blogs, prometo!)
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Mito 5. Nós damos em cima de nossas amigas héteros
Mito 6. Lésbicas não são machistas

Mito 6 – Lésbicas não são machistas

dezembro 17, 2008

Hoje chegamos ao nosso penúltimo mito. Será que, por sermos mulheres que amam mulheres, escapamos ao machismo?

Eu me lembro claramente de quando tinha uns 8, 9 anos e estava discutindo com meu pai sobre algum acontecimento sexista. Ele, que sempre adorou me azucrinar, disparou logo um: “o mundo só é assim porque as mulheres aceitam o machismo e não fazem nada para mudar isso“. Na hora eu fiquei tão atordoada que não consegui responder nada. O que ele disse fazia bastante sentido.

Mas o que é esse tal de machismo? Naquela época, para mim, machismo era eu ter de botar a mesa enquanto meu irmão jogava videogame. Eu reclamava até não poder mais, ao que minha mãe sempre respondia que ele era homem e não saberia fazer as tarefas de casa direito. Ou seja: no meu universo infantil, minha mulher-referência não fazia nada contra o sexismo. Um a zero para meu pai.

Quando cresci, percebi que eu não podia trancar a porta do meu quarto quando estava sozinha. Já meu irmão… bem, ele trancava seu quarto quando estava acompanhado. E todo mundo, inclusive minha mãe, parecia morrer de orgulho. Dois a zero para meu pai.

Fora de casa, fui vendo muitas coisas nas entrelinhas. Nós, mulheres, temos de ser femininas, recatadas, verdadeiras “guardiãs do sexo”. Não podemos demonstrar desejo, competitividade, agressividade e em muitos casos nem liderança. Devemos ser o pescoço do homem e guiá-lo, fazendo-o acreditar que é ele quem está escolhendo seu rumo. Quem nunca ouviu isso?

Quando eu me descobri lésbica, achei que tinha encontrado a solução tabajara para todos os meus problemas. Finalmente, um mundo livre e justo para as mulheres! Logo entendi que estava bem errada. E me deparei com um monte de paradoxos lésbicos.

Podemos ser lésbicas, mas queremos namorar mulherezinhas femininas. Sonhamos com uma princesa encantada que seja uma lady in the streets, freak in the sheets. Perpetuamos todos os estereótipos femininos. E nós mesmas temos um preconceito enorme contra casais de butches (e até contra casais de ladies!). Achamos que o correto e natural é uma mulher mulherzinha namorar uma mulher homenzinho. Tem coisa mais machista do que achar que homem tem que ser assim e mulher assado, e ainda defender que esse é o padrão universal de relacionamento?

Meu pai só não me convenceu completamente porque hoje eu sei que as coisas não mudam da noite para o dia. Nossa noção do que é forte/fraco, positivo/negativo, certo/errado está em constante transformação, em movimentos que dependem dos dois lados da moeda. Só precisamos começar a fazer a nossa parte e reconhecer nossas falhas. Parafraseando aquela campanha, você já parou para pensar onde você guarda seu machismo?

Créditos das imagens: chelseacharliwhite e frozenminds

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Mito 6 – Lésbicas não são machistas

dezembro 17, 2008

Hoje chegamos ao nosso penúltimo mito. Será que, por sermos mulheres que amam mulheres, escapamos ao machismo?

Eu me lembro claramente de quando tinha uns 8, 9 anos e estava discutindo com meu pai sobre algum acontecimento sexista. Ele, que sempre adorou me azucrinar, disparou logo um: “o mundo só é assim porque as mulheres aceitam o machismo e não fazem nada para mudar isso“. Na hora eu fiquei tão atordoada que não consegui responder nada. O que ele disse fazia bastante sentido.

Mas o que é esse tal de machismo? Naquela época, para mim, machismo era eu ter de botar a mesa enquanto meu irmão jogava videogame. Eu reclamava até não poder mais, ao que minha mãe sempre respondia que ele era homem e não saberia fazer as tarefas de casa direito. Ou seja: no meu universo infantil, minha mulher-referência não fazia nada contra o sexismo. Um a zero para meu pai.

Quando cresci, percebi que eu não podia trancar a porta do meu quarto quando estava sozinha. Já meu irmão… bem, ele trancava seu quarto quando estava acompanhado. E todo mundo, inclusive minha mãe, parecia morrer de orgulho. Dois a zero para meu pai.

Fora de casa, fui vendo muitas coisas nas entrelinhas. Nós, mulheres, temos de ser femininas, recatadas, verdadeiras “guardiãs do sexo”. Não podemos demonstrar desejo, competitividade, agressividade e em muitos casos nem liderança. Devemos ser o pescoço do homem e guiá-lo, fazendo-o acreditar que é ele quem está escolhendo seu rumo. Quem nunca ouviu isso?

Quando eu me descobri lésbica, achei que tinha encontrado a solução tabajara para todos os meus problemas. Finalmente, um mundo livre e justo para as mulheres! Logo entendi que estava bem errada. E me deparei com um monte de paradoxos lésbicos.

Podemos ser lésbicas, mas queremos namorar mulherezinhas femininas. Sonhamos com uma princesa encantada que seja uma lady in the streets, freak in the sheets. Perpetuamos todos os estereótipos femininos. E nós mesmas temos um preconceito enorme contra casais de butches (e até contra casais de ladies!). Achamos que o correto e natural é uma mulher mulherzinha namorar uma mulher homenzinho. Tem coisa mais machista do que achar que homem tem que ser assim e mulher assado, e ainda defender que esse é o padrão universal de relacionamento?

Meu pai só não me convenceu completamente porque hoje eu sei que as coisas não mudam da noite para o dia. Nossa noção do que é forte/fraco, positivo/negativo, certo/errado está em constante transformação, em movimentos que dependem dos dois lados da moeda. Só precisamos começar a fazer a nossa parte e reconhecer nossas falhas. Parafraseando aquela campanha, você já parou para pensar onde você guarda seu machismo?

Créditos das imagens: chelseacharliwhite e frozenminds

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Mito 5. Nós damos em cima de nossas amigas héteros
Mito 7. Nós ainda não achamos o homem certo

Mito 5 – Nós damos em cima de nossas amigas héteros

dezembro 12, 2008

Quem nunca se apaixonou por uma hétero que atire a primeira pedra! Muitas de nós passamos por essa situação e, em vários casos, saímos machucadas. Dessa experiência sobram até trauminhas e as juras de “nunca mais pegarei outra hétero”.

Claro que essa promessa é difícil de manter. Afinal, como diria nossa querida Alice do The L Word, toda mulher é hétero até não ser mais. Ou seja, a matéria prima lésbica pode ser encontrada no seu estado bruto nas héteros, esperando para ser lapidada.

Isso quer dizer que nós damos em cima de todas as héteros que passam na nossa frente? Sim! Eu não perco a oportunidade e dou em cima mesmo. Claro que não. Nós também temos o direito de ser seletivas, ora bolas!

Acredito que muito desse mito vem do mundo masculino. Os caras, desde criancinhas, são ensinados que não podem negar fogo. Eles estão sempre dando em cima das mulheres, preparados para um encontro sexual. Evidente que isso é uma generalização, mas com um pouco de boa vontade dá pra ver que aquele cara bonzinho, cortês e cavalheiro está usando as estratégias mais galantes que ele aprendeu para chegar ao seu objetivo.

E nós, lésbicas? Bem, nós fomos criadas para ser mulheres. Podemos até ser mais liberadas sexualmente que as héteros (nem sei se somos, viu?), mas ainda agimos e pensamos como garotas. Significa que – na maior parte do tempo – não ficamos cantando as meninas ao nosso redor.

O que fazer quando as nossas amigas esperam que tenhamos um comportamento masculino? Isso você pode discutir na comunidade Tenho a impressão de que minhas amigas héteros dão em cima de mim, no Leskut. Se suas amigas não ligam para esse mito mas namoram caras que acham que você é o bicho-papão, essa reportagem do Fantástico foi feita para você.

Amanhã, nosso penúltimo mito! Talvez você tenha pensado isso algum dia: se somos mulheres e gostamos de mulheres, nós não podemos ser machistas.

Créditos das fotos: warmsunnydays_ e Greg Robbins

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dezembro 12, 2008

Quem nunca se apaixonou por uma hétero que atire a primeira pedra! Muitas de nós passamos por essa situação e, em vários casos, saímos machucadas. Dessa experiência sobram até trauminhas e as juras de “nunca mais pegarei outra hétero”.

Claro que essa promessa é difícil de manter. Afinal, como diria nossa querida Alice do The L Word, toda mulher é hétero até não ser mais. Ou seja, a matéria prima lésbica pode ser encontrada no seu estado bruto nas héteros, esperando para ser lapidada.

Isso quer dizer que nós damos em cima de todas as héteros que passam na nossa frente? Sim! Eu não perco a oportunidade e dou em cima mesmo. Claro que não. Nós também temos o direito de ser seletivas, ora bolas!

Acredito que muito desse mito vem do mundo masculino. Os caras, desde criancinhas, são ensinados que não podem negar fogo. Eles estão sempre dando em cima das mulheres, preparados para um encontro sexual. Evidente que isso é uma generalização, mas com um pouco de boa vontade dá pra ver que aquele cara bonzinho, cortês e cavalheiro está usando as estratégias mais galantes que ele aprendeu para chegar ao seu objetivo.

E nós, lésbicas? Bem, nós fomos criadas para ser mulheres. Podemos até ser mais liberadas sexualmente que as héteros (nem sei se somos, viu?), mas ainda agimos e pensamos como garotas. Significa que – na maior parte do tempo – não ficamos cantando as meninas ao nosso redor.

O que fazer quando as nossas amigas esperam que tenhamos um comportamento masculino? Isso você pode discutir na comunidade Tenho a impressão de que minhas amigas héteros dão em cima de mim, no Leskut. Se suas amigas não ligam para esse mito mas namoram caras que acham que você é o bicho-papão, essa reportagem do Fantástico foi feita para você.

Amanhã, nosso penúltimo mito! Talvez você tenha pensado isso algum dia: se somos mulheres e gostamos de mulheres, nós não podemos ser machistas.

Créditos das fotos: warmsunnydays_ e Greg Robbins

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Mito 6. Lésbicas não são machistas
Mito 7. Nós ainda não achamos o homem certo

Mito 4 – Toda lésbica nasce com o manual de habilidades masculinas

dezembro 11, 2008

Admito: eu caí na armadilha desse mito. Uma vez meu carro pifou e eu disse: “isso é coisa da embreagem”. Todos os homens da casa falaram que o problema era no câmbio. Fomos à oficina e voilà! Paguei por um conserto na embreagem. Alguns meses depois, foi a vez do carro da namorada. E não é que nós duas acertamos onde estava o problema? Depois disso, me achei o máximo. Tive certeza que toda sapatilha nascida no século XX já vem com o manual de mecânica de fábrica. E, claro, eu era uma delas.

Outro fator me fez crer nesse mito foram minhas amizades. Tenho uma best friend forever que é tão lady que não apitaria no meu gaydar. E justamente ela já me salvou muitas vezes: consertou equipamentos elétricos da minha casa, montou móveis, fez uma chupeta quando a bateria do meu carro descarregou. Um dia ela ajudou uma estranha na rua com seu cabo de chupeta e a senhora só falava: “mas esse carro é do seu irmão, né? Ou do seu namorado? Uma menina como você não andaria com um cabo desses!

Foi assim, cara leitora, que eu acreditei nesse mito. E foi assim que eu quebrei a cara quando comprei uma mesa de jantar para montar em casa. Do it yourself? I can do it. Cheguei em casa, abri o esquema de montagem, separei os parafusos. Me senti super inteligente por entender o que tinha de fazer. Mas na hora do vamos ver… nada entrava na madeira. Onde estavam os buracos para encaixar os parafusos? Eles não existiam: eu tinha que criá-los. Ok, vamos lá então! Joguei toda a força do meu braço no parafuso e rodei, querendo furar a placa de MDF. Nada. Tentei, tentei, tentei de novo. Mudei de posição, mudei de braço. Com o esquerdo eu tenho mais força, pensei. Girava, girava, girava, suava de cansaço e nada: no máximo uma poeirinha no chão. Saí de casa, fui ao shopping, comprei uma parafusadeira. Nem assim. Quase chorando de frustração, liguei para a tal lady amiga. No dia seguinte, aquela menininha tirou o salto alto, sentou no chão e enfiou todos os parafusos na madeira como se fosse a coisa mais fácil do mundo.

Depois desse mico, entendi o óbvio: pessoas diferentes têm habilidades diferentes. Conheci feministas militantes que morrem de medo de insetos e lésbicas que não sabem trocar o óleo do carro. Eu, por exemplo, não consigo pregar um quadro na parede, mas mato uma barata como ninguém! E você?

Cenas dos próximos capítulos: cuidado, meninas héteros! As sapatonas só estão esperando a primeira oportunidade para dar em cima de você.

Créditos da foto: Skelekitten.

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Mito 4 – Toda lésbica nasce com o manual de habilidades masculinas

dezembro 11, 2008

Admito: eu caí na armadilha desse mito. Uma vez meu carro pifou e eu disse: “isso é coisa da embreagem”. Todos os homens da casa falaram que o problema era no câmbio. Fomos à oficina e voilà! Paguei por um conserto na embreagem. Alguns meses depois, foi a vez do carro da namorada. E não é que nós duas acertamos onde estava o problema? Depois disso, me achei o máximo. Tive certeza que toda sapatilha nascida no século XX já vem com o manual de mecânica de fábrica. E, claro, eu era uma delas.

Outro fator me fez crer nesse mito foram minhas amizades. Tenho uma best friend forever que é tão lady que não apitaria no meu gaydar. E justamente ela já me salvou muitas vezes: consertou equipamentos elétricos da minha casa, montou móveis, fez uma chupeta quando a bateria do meu carro descarregou. Um dia ela ajudou uma estranha na rua com seu cabo de chupeta e a senhora só falava: “mas esse carro é do seu irmão, né? Ou do seu namorado? Uma menina como você não andaria com um cabo desses!

Foi assim, cara leitora, que eu acreditei nesse mito. E foi assim que eu quebrei a cara quando comprei uma mesa de jantar para montar em casa. Do it yourself? I can do it. Cheguei em casa, abri o esquema de montagem, separei os parafusos. Me senti super inteligente por entender o que tinha de fazer. Mas na hora do vamos ver… nada entrava na madeira. Onde estavam os buracos para encaixar os parafusos? Eles não existiam: eu tinha que criá-los. Ok, vamos lá então! Joguei toda a força do meu braço no parafuso e rodei, querendo furar a placa de MDF. Nada. Tentei, tentei, tentei de novo. Mudei de posição, mudei de braço. Com o esquerdo eu tenho mais força, pensei. Girava, girava, girava, suava de cansaço e nada: no máximo uma poeirinha no chão. Saí de casa, fui ao shopping, comprei uma parafusadeira. Nem assim. Quase chorando de frustração, liguei para a tal lady amiga. No dia seguinte, aquela menininha tirou o salto alto, sentou no chão e enfiou todos os parafusos na madeira como se fosse a coisa mais fácil do mundo.

Depois desse mico, entendi o óbvio: pessoas diferentes têm habilidades diferentes. Conheci feministas militantes que morrem de medo de insetos e lésbicas que não sabem trocar o óleo do carro. Eu, por exemplo, não consigo pregar um quadro na parede, mas mato uma barata como ninguém! E você?

Cenas dos próximos capítulos: cuidado, meninas héteros! As sapatonas só estão esperando a primeira oportunidade para dar em cima de você.

Créditos da foto: Skelekitten.

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Mito 7. Nós ainda não achamos o homem certo

Mito 3 – As lésbicas querem ser homens?

dezembro 10, 2008
Antes de mergulharmos no 3° mito, gostaria de agradecer à Noélya do delicioso blog Uma Sapa Fora da Lagoa por presentear a Antena Paralésbica com seu primeiro selo! Obrigada, Noélya!

E de volta a nossa série dos Grandes Mistérios do Universo Mitos sobre Lésbicas, hoje conversaremos sobre a famosa presunção que sapatão = mulher que queria ser homem. Será?

Esse mito está intimamente relacionado ao primeiro. Se esse pensamento existe por causa da aparência das lésbicas, ele é invalidado quando descobrimos a quantidade de meninas super femininas que estão sapateando por aí. Mas e as bofinhos? Querem ser homens?

Antes de mais nada, preciso compartilhar uma coisa: acho curiosíssimo como os machos desse planeta ficam ofendidos por uma mulher ter atitudes masculinas. Qual o problema? Afeta a virilidade deles? Eles têm medo de perder suas namoradas? Vai saber…

O que se sabe é que mulher masculina incomoda o resto do mundo. A butch, por si só, quebra um monte de “dogmas” sociais que ninguém nunca parou para pensar antes de dar de cara com ela. Ela é tão subversiva que é mais fácil excluí-la e enquadrá-la, dizendo que quer ser homem, do que lidar com a realidade: ela existe e está num tom de cinza inimaginável para quem lida com o preto-no-branco da esfera heterossexual. E não, ela não quer ser preto nem branco. Se quiser, ela é transexual. (Óóóóóó!) Ouviram isso? Esse é o som da iluminação após o curso básico sobre homossexualidade e transexualidade. O mundo seria bem melhor se isso fosse matéria pro vestibular!

Entretanto, existe outra possibilidade para esse mito continuar existindo. As pessoas podem achar que queremos ser homens porque nós, sapatilhas, nos comportamos como eles no sentido sexual e queremos dar prazer a outras mulheres. Se for isso, sinto informar que essa linha de raciocínio também está equivocada. Todo mundo sabe que nós temos estratégias sexuais diferentes – ou seja, não estamos imitando ninguém – e que somos muuuito melhores de cama do que eles. É ou não é?

Como diria uma amiga minha sobre a diferença de transar com um homem ou com uma mulher: com uma mulher, você goza no final.

Amanhã, o 4° mito. Você troca a lâmpada de casa? Mata barata sem dar escândalo? Sabe checar o óleo do carro? Não? Então você deve ser hétero, porque toda lésbica já vem com o manual de habilidade masculinas de fábrica.

Créditos da foto: Zesmerelda, Parada Gay de Chicago, 2006.

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dezembro 10, 2008
Antes de mergulharmos no 3° mito, gostaria de agradecer à Noélya do delicioso blog Uma Sapa Fora da Lagoa por presentear a Antena Paralésbica com seu primeiro selo! Obrigada, Noélya!

E de volta a nossa série dos Grandes Mistérios do Universo Mitos sobre Lésbicas, hoje conversaremos sobre a famosa presunção que sapatão = mulher que queria ser homem. Será?

Esse mito está intimamente relacionado ao primeiro. Se esse pensamento existe por causa da aparência das lésbicas, ele é invalidado quando descobrimos a quantidade de meninas super femininas que estão sapateando por aí. Mas e as bofinhos? Querem ser homens?

Antes de mais nada, preciso compartilhar uma coisa: acho curiosíssimo como os machos desse planeta ficam ofendidos por uma mulher ter atitudes masculinas. Qual o problema? Afeta a virilidade deles? Eles têm medo de perder suas namoradas? Vai saber…

O que se sabe é que mulher masculina incomoda o resto do mundo. A butch, por si só, quebra um monte de “dogmas” sociais que ninguém nunca parou para pensar antes de dar de cara com ela. Ela é tão subversiva que é mais fácil excluí-la e enquadrá-la, dizendo que quer ser homem, do que lidar com a realidade: ela existe e está num tom de cinza inimaginável para quem lida com o preto-no-branco da esfera heterossexual. E não, ela não quer ser preto nem branco. Se quiser, ela é transexual. (Óóóóóó!) Ouviram isso? Esse é o som da iluminação após o curso básico sobre homossexualidade e transexualidade. O mundo seria bem melhor se isso fosse matéria pro vestibular!

Entretanto, existe outra possibilidade para esse mito continuar existindo. As pessoas podem achar que queremos ser homens porque nós, sapatilhas, nos comportamos como eles no sentido sexual e queremos dar prazer a outras mulheres. Se for isso, sinto informar que essa linha de raciocínio também está equivocada. Todo mundo sabe que nós temos estratégias sexuais diferentes – ou seja, não estamos imitando ninguém – e que somos muuuito melhores de cama do que eles. É ou não é?

Como diria uma amiga minha sobre a diferença de transar com um homem ou com uma mulher: com uma mulher, você goza no final.

Amanhã, o 4° mito. Você troca a lâmpada de casa? Mata barata sem dar escândalo? Sabe checar o óleo do carro? Não? Então você deve ser hétero, porque toda lésbica já vem com o manual de habilidade masculinas de fábrica.

Créditos da foto: Zesmerelda, Parada Gay de Chicago, 2006.

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